por Jorge Ferraz
[Publico um capítulo de um estudo realizado pela Universidade Estadual de Goiás sobre crianças e moda, chamado "Mercado de Moda Infantil", que traz algumas considerações bem pertinentes sobre a corrupção da infância. Agradeço ao Rodrigo Pedroso que mo enviou por email.
O original pode ser encontrado aqui e é da autoria da sra. Nadima Chalup Ribas, estudante de design de moda e autora deste blog, em colaboração com o dr. Bento Fleury, professor doutor em Letras e Lingüística.]
Erotização da Moda Infantil
Um fato que preocupa pais, educadores e a sociedade em geral é a infância cada vez mais curta. É cada vez mais comuns ver meninas na faixa de 7 a 11 anos agindo como verdadeiras moças, ganhar brinquedo é uma ofensa, o presente bem vindo são roupas, acessórios, maquiagens.
As festas de aniversário também mudaram, não existe uma decoração com tema infantil, mas sim festas com DJ’s, luz negra ou então a festa é realizada dentro de um salão de beleza. Criança sempre foi vaidosa, a diferença era que elas colocavam suas vontades todas nas bonecas, hoje não precisam de bonecas, a realidade é mais interessante, elas são as próprias “cobaias”.
O problema tem origens da própria educação dos pais que, na sua maioria, vestem seus filhos, principalmente filhas como adultos em miniatura. Não imaginam o efeito que isso causa em um futuro próximo. Mesmo que alguns pais eduquem seus filhos de maneira coerente, eles acabam recebendo uma grande influência da televisão, a contra educação. O fato não é tão atual, existe uma diferença muito grande na moda infantil antes de depois do programa Xou da Xuxa, exibido na década de 80.
As meninas – as mais influenciadas – não queriam mais saber de vestir vestidos com babadinhos e sapatos. A febre na época eram os shortinhos e as botas, marca registrada da rainha dos baixinhos. A roupa da apresentadora que inspirava sensualidade contrastava com um cenário cheio de elementos infantis. Além de influenciar na moda, o programa também direcionou as crianças ao consumismo e a competição.
Nos anos 90 outra preocupação dos educadores era o então grupo de axé, É o Tchan. A atração do grupo eram as mulheres vestidas com roupas curtíssimas, coloridas e coladas ao corpo dançando com letras de apelo sexual. É obvio que a criança não entendia o significado da letra, mas se deixava levar pelo ritmo e o colorido das roupas das dançarinas.
Nunca uma criança foi tão desrespeitada como naquela época, a tendência da maioria é imitar sim as vestimentas de ídolos, não só as vestimentas, mas também as atitudes. As meninas andavam praticamente semi-nuas, e o pior era o orgulho que os pais sentiam em ver seus pequenos vestidos como os ídolos em programas de TV. Esses programas promoviam concursos de cover infantil e ainda ganhava ibope com isso.
A taxa de violência sexual contra crianças e adolescentes aumentou consideravelmente, a sociedade se chocava no momento em que acompanhavam dados no jornal da TV, mas de nada adiantava, pois depois do jornal entrava a novela ou programas de auditório com a participação especial desses famosos grupos de axé.
Aproveitando o sucesso que o grupo tinha com as crianças, foram lançados diversos produtos da linha É o Tchan entre brinquedos, cosméticos e roupas. Ou seja, mais uma vez as crianças eram as principais vítimas de grandes empresários sem valores que pensam apenas em dinheiro.
Atualmente, um fenômeno que colabora para a erotização da moda infantil é a cultura do funk. Semelhante ao axé, as letras são de gosto duvidoso e também fazem apologia ao sexo. A criança novamente é seduzida pelo ritmo, as batidas. As roupas também são extremamente justas e curtas, a criança ao vestir a roupa, sente-se mais velha, e para elas, não existe coisa melhor.
O grupo Rebeldes, também tem uma parcela de influência nas vestimentas e no comportamento precoce das crianças. O grupo musical também conta com uma novela que é acompanhada assiduamente por crianças e adolescentes, mas principalmente as crianças. A história se passa em um colégio de classe média alta, os atores que interpretam adolescentes, na vida real, já são adultos. As protagonistas vestem uniformes curtíssimos, o que não seria permitido em um colégio da vida real. Além das roupas as crianças tentam imitar o comportamento intitulado como rebelde, o próprio nome diz tudo.
Fatores sociais também colaboram para o aceleramento dos fatores biológicos, as meninas de hoje entram na puberdade mais cedo.”Esta geração de meninas está tão erotizada, vem recebendo tantos estímulos para ficar moça que o cérebro acaba enviando sinais que detonam a produção dos hormônios mais cedo” afirma Jonathas Soares, ginecologista do Hospital das Clínicas e do Albert Einstein, de São Paulo.
Pd Julie Maria: um exemplo trágico destas meninas que estão sendo obrigadas a entrarem no mundo dos adultos, e não naquilo que ele tem de melhor é este vídeo. Se não amamos e deixamos que as crianças sejam crianças, é sinal de que perdemos o respeito pela ordem harmoniosa que Deus criou e o preço a pagar… é caro demais. O contraste da pureza e inocência da menina com o fundo de imagens que ela tem e na “caricatura” que ela se transforma ao se maquiar é assustador. Rezemos.


Oi Julie!
Primeira vez que me sinto confortável para escrever diretamente no seu site.
Já há alguns anos vez eu assistia a um desfile de moda infantil num programa feminino de TV aberta e eram vestidos desenhados pela convidada do programa. A estilista dizia que os vestidos que ela apresentava foram desenhados a partir da escuta da cleintela: as crianças. E ela dizia que as meninas não gostam de roupas curtas porque elas não conseguem brincar, e o imaginário de vestido é o vestido rodado e comprido e adoram bolsinhas. Os vestidos eram bastante parecidos: abaixo do joelho, bem rodados e sempre com uma bolsinha combinando (isso que motivou a pergunta da apresentadora, porque eram todos parecidos). A estilistas dizia que as meninas gostam que o vestido as façam sentir como fadas ou princesas.
É uma verdade sim que as crianças se vestem muito mal e isso não tem haver com pobreza, mas com valores e perfil educacional dos pais. É um fato que nas boutiques infantis para as crianças ricas se encontram roupas de fato para crianças, ou mesmo a moda infanto-juvenil que é uma graça e deixa as pré-adolescentes (mesmo com calças e bermudas!) com frescor da idade, e me faz sentir saudade dessa fase da vida. Mesmo as maquiagesn para adolescentes que é uma verdadeira graça, só tem por função ressaltar o aspecto de saúde e juvenil, e não colorir o rosto. A classe média é toda cheia de modismos sem reflexão (ex é o “novo rico” que até tem dinheiro mas no resto fica a esejar), e os pobres são vitimas de todo um sistema social.
Além da perda dos valores cristãos, vale tbem entender pela perspectiva cultural o que tem por trás de tudo isso.
abraço
Ainda lembro, nos anos 90, a influência dos Mamonas. Não influenciavam as roupas, mas a criançada cantava letras extremamente grosseiras.
Querida Dani, seja bem vinda ao blog
Amiga, pode me explicar o que você quis dizer com isso:
“Mesmo as maquiagesn para adolescentes que é uma verdadeira graça, só tem por função ressaltar o aspecto de saúde e juvenil, e não colorir o rosto.”
PAX
JM
E hoje irmão… onde fomos parar? Extremadamente vulgares que tenho vergonha de copiar aqui alguma parte destas letras.
A música reflete a cultura ou…. a decadência no nosso caso!
PAX
JM
Cadê meu comentário? Sumiu???????????????????
Quando enviei estava ali em cima, eu o li, tenho certeza.