Fonte: Instituto Humanitas Unisinos
O Natal desaparece. E só os muçulmanos protestam ![]()
As escolas americanas tinham começado, em anos passados, a substituir a festa de Natal por aquela dos pinheiros, mas parecia ser a loucura de uma população um pouco exótica, presa fácil de ideologias agradáveis.
No entanto, agora é Oxford, um farol da cultura européia, a cidade que hospeda uma das universidades mais importantes do mundo, que cancelou a festa de Natal para substituí-la com uma inédita “festa da luz”. É um lugar que deve sua fama à cultura, onde até algumas décadas atrás se falava latim, que cultivava sob cada perfil as raízes culturais do ocidente, que cancela aquela que é, talvez, a festa mais importante do mundo cristão.
O artigo é de Lucetta Scaraffia, publicado no jornal Il Riformista, 06-11-2008. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O que será das nossas sociedades, se renegamos um pedaço consistente e significativo da nossa identidade cultural?
Em vez de inventar festas fictícias, é melhor cancelar o Natal totalmente, como antes fizeram os jacobinos e depois os bolchevistas nos seus calendários revolucionários. É melhor trabalhar em silêncio, talvez até se esqueçam da celebração, naquele dia, em vez de vê-la transformada em uma festa falsa, sem história nem identidade, banal e gasta, mas justamente por isso, aos olhos dos alunos, mais tranqüilizante. Uma festa que não tem história, mas que, justamente por isso, pode ser uma festa de todos, porque não faz diferença entre cristãos e crentes de outras religiões ou ateus, entre adultos e crianças, entre ricos e pobres. Um projeto que se iguala, sob mentiras despojadas, àquela utopia da igualdade que já fez tanto mal ao gênero humano: se não houver mais cristãos, nem judeus, nem muçulmanos, seremos iguais e felizes.
A “festa da luz” provavelmente será promovida pela companhia elétrica e pelas empresas produtoras de lustres e lâmpadas, não pertencerá a ninguém, mas isso não quer dizer que pertencerá a todos, como parecem esperar em Oxford. Será só uma festividade vazia, sem significado nem história, predominantemente comercial, que terá como único objetivo assegurar um pouco de diversão em troca de dinheiro, uma festa que transformará os lugares em falsos cenários tipo Disneyland. Porque, se não há história, não há raiz cultural e religiosa, não há ritual e simbolismo firmados no curso do tempo, cada manifestação decai no comercial, cenário de papel e na corrida aos brindes do patrocinador, privada da dimensão de troca social e simbólica que lhe dá o verdadeiro sentido.
Uma festa, de fato, não pode ser inventada, pode apenas ser cancelada, esquecida, negada. Assim já aconteceu com o carnaval, que desapareceu ou se reduziu a uma dimensão puramente turístico-comercial por causa do desaparecimento da Quaresma, com o ferragosto [1], surgido da festa de Maria no fim das férias, e até com a Páscoa, que por muitos, talvez, é só um período de férias da primavera [européia]. O Natal é a festa que mais obstinadamente manteve a sua identidade cristã, e por isso não se transformou totalmente em uma festa genérica: culpa suficiente para Oxford, e depois, talvez, outras cidades em seu rastro, que vão mudar-lhe o nome.
Mas se o Natal é cancelado, então devem ter coragem e cancelar também as outras festas: por que festejar o aniversário de uma senhora que se chama Elisabetta Windsor se não se festeja o do fundador da cultura ocidental, Jesus? Por que festejar as vitórias nas guerras mundiais, se foram só horrendas carnificinas? Se as bases da identidade cultural de um povo são canceladas, tudo se desagrega, e é impossível reconstruir rapidamente, outros sinais verdadeiros de identidade. Obtém-se só uma sociedade desfeita, composto por indivíduos que não sabem quem são, nem por que estão juntos ao ponto de constituírem uma nação, uma cultura comum.
E parecem nem se dar conta de como são patéticos e ridículos nessa disputa nunca antes vista sobre a negociação da identidade: eles mesmos o explicam, os “diferentes”, aqueles para os quais, pelo menos formalmente, quer-se cancelar uma das últimas expressões de identidade cristã. Quem se opõe a essa ridícula decisão, de fato, não são pastores anglicanos ou padres católicos, talvez há anos sem o coragem de réplica, mas judeus e muçulmanos, escandalizados por um jogo destrutivo do qual não querem participar, nem como espectadores. Tirando a folha de figo do projeto de cancelar toda a diferença entre as religiões, torna-se evidente o vazio e desesperado o niilismo dessa proposta.
Notas:
1. Do latim Feriae Augusti, repouso de agosto. É uma festa popular tradicional na Itália, de raízes antiqüíssimas, que ocorre no dia 15 de agosto, para festejar o fim dos principais trabalhos agrícolas.



Fiquei sabendo dessa notícia… que coisa triste.
abraços
[...] 9, 2008 por Julie Maria Já falamos em outra ocasião da triste notícia de que o Natal foi abolido em Oxford. Hoje o Danillo em seu blog traz mais uma trágica notícia deste processo onde a fé é banida sem [...]