Faço minhas as palavras tão equilibaradas do post do Jorge Ferraz sobre este tema, do qual cito uma parte abaixo (aspas). Além disso coloco, sob minha responsabilidade, um link de um post do Danilo Augusto que mostra, através de dois vídeos, a que ponto podemos chegar entre a desobediência à Santa Igreja (o que infelizmente é comum no Brasil, e não só para aqueles que seguem a espiritualidade da RCC) e a beleza de um rito celebrado como a Igreja exige. O desejo é, de fato, que o reconhecimento à Canção Nova traga mais responsabilidade, e com isso maior amor à Santa Igreja e a Sagrada Liturgia. Não em palavras mas em atos.
…as pessoas, não raro, têm muita sede do extraordinário – justamente do aspecto mais injustificável do carismatismo! Isto é muito de se lamentar.
Queira Deus que este reconhecimento pontifício possa trazer bons frutos – frutos verdadeiramente bons! – para os católicos. Não permita a Virgem Santíssima que os homens, com prurido de novidades, dêem mais atenção ao que é sensível do que ao que é invisível. E que o Espírito Santo abençoe a Canção Nova, e a conduza sempre à fidelidade à Igreja, Única Esposa de Cristo, fora da qual só há erros e confusão.
Além disso, enfrentamos o sério problema, especialmente aqui no Brasil, de ver pessoas com reta intenção, mas sem uma formação doutrinária adequada, contrapor a “experiência do amor de Deus na Liturgia” e a “obediência às normas litúrgicas da Igreja”, como se não fosse o mesmo Deus: Aquele que nos oferece a experiência do seu amor e Aquele que inspira a Santa Igreja a ordenar a Sagrada Liturgia, pela qual “se opera o fruto da nossa Redenção”. Daí as importantíssimas palavras do Santo Padre João Paulo II sobre a obediências às normas da Igreja, e com o link do devido documento que ele menciona. Este documento está resumido no blog do José Roldão (para não termos desculpas de não lê-lo):
…Sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística. Constituem uma expressão concreta da autêntica eclesialidade da Eucaristia; tal é o seu sentido mais profundo. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados os santos mistérios. O apóstolo Paulo teve de dirigir palavras àsperas à comunidade de Corinto pelas falhas graves na sua celebração eucarística, que tinham dado origem a divisões (skísmata) e à formação de facções (‘airéseis) (cf. 1 Cor 11, 17-34). Atualmente também deveria ser redescoberta e valorizada a obediência às normas litúrgicas como reflexo e testemunho da Igreja, una e universal, que se torna presente em cada celebração da Eucaristia. O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja. Precisamente para reforçar este sentido profundo das normas litúrgicas, pedi aos dicastérios competentes da Cúria Romana que preparem, sobre este tema de grande importância, um documento específico, incluindo também referências de carácter jurídico. A ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu carácter sagrado nem a sua dimensão universal. (grifo meu)


Olá Julie Maria.
Concordo plenamente com suas palavras.
Tenho na Sagrada Liturgia uma paixão impar, pois durante quase toda a minha vida fiquei ‘privado’ do Sagrado por não ter e ver nas celebrações da Santa Missa quase nenhuma (ou nada mesmo) de Liturgia Sagrada. Isso é muito importante, pois temos sim ‘sede’ é de Sagrado, e não de coisas superficiais e materiais.
E o extraordinário disso tudo é que na Santa Liturgia, temos sim, uma participação do Banquete Celestial. É fantástico! Belíssimo e Maravilhoso perceber em uma Santa Missa bem celebrada (diga-se, obediente aos documentos litúrgicos), com zelo reverendíssimo, o Sagrado ‘salta-nos’ aos olhos, ouvidos,…
Mas infelizmente, só pude ter um pouquinho disso tudo, depois de muitos anos de vida, a mesmo assim, não ainda hoje com regularidade.
Rezemos, então para que, com estes reconhecimento, a Canção Nova, possa sim, corrigir seus erros litúrgicos e seguir como exemplo de obediência litúrgica e de zelo para as outras comunidades carismáticas.
Que Nossa Senhora de Fátima, nos encaminhe para o seu filho e Nosso Senhor Jesus Cristo, na Santa Obediência.
Per Christum Dominum nostrum. Amem.
André Víctor
Estimado André, num e-mail o Danilo Augusto (Igreja Una blog) me escreveu algo que vai de encontro com o post e seu comentário, que eu copio aqui com sua autorização: “Isso vem de uma crise de amor por Cristo! As pessoas que não amam verdadeiramente ao Cristo Jesus jamais estarão dispostas ao seguimento das normas litúrgicas. Quem ama Jesus, ama Sua Igreja. Quem ama a Igreja ama a liturgia e a respeita como ela é: culto ao Deus vivo, uno e trino!
Eu diria que o comentário que você relata mostra uma ruptura (mais uma) na vida orante do leigo. Uma verdadeira “experiência de amor de Deus” está intimamente ligada com a beleza do rito e sua pureza. Um rito poluído e ruidoso jamais propiciaria tal experiência. Deus não está no caos. E as normas existem para evitar o caos.
A liturgia é também um espaço catequético, que nos ensina a ter uma amizade com Deus. Quando o padre fala (na homilia) só o que lhe vem à cabeça, ignorando os textos sagrados, Deus se torna um estranho e a amizade com Ele é impossível. Não sabemos quem Ele é ou qual é a Sua vontade.
Discordo dessa separação entre “normas”, como se fossem coisas ruins e frias, e espiritualidade, considerado algo puramente subjetivo, algo dos “sentidos”. Quando o padre celebra reverentemente, faz uma homilia bem fundamentada, a experiência do amor de Deus acontece plenamente porque nós nos abrimos para isso, elevamos nosso olhar – não mais em direção ao padre, mas até Deus.
Muito bom!
Muito bom memso! Belas palavras as suas e também as dele (Danilo Augusto)
E saúde e muitos anos de vida ao nosso Santo Padre, o Papa Bento XVI, para que possa continuar sua ‘empreitada’ para o restabelecimento do Sagrado, através da Sagrada Liturgia. Que aliás, é a sua paixão!
Até mais ‘ver’.
Pax!
André Víctor.
Cara Julie,
Os abusos litúrgicos tomaram uma proporção tão grande em nosso país, que só mesmo a confiança na infinita Misericórdia de Deus, para nos fazer acreditar que algo possa mudar.
Acredito, e é mais uma opinião, que seja mais um caso de teimosia do que de conhecimento, em que não bastam apenas esclarecimentos, mas ações mais duras por parte das autoridades eclesiásticas.
Fico triste quando vejo tais abusos, mas confesso que mesmo manifestando a minha opinião contrária algumas vezes em minha paróquia, as vezes até pedindo desligamento de alguns trabalhos, nunca me senti a vontade para me dirigir ao Bispo para relatar qualquer coisa. Sofro em meu coração, aguardando o dia em que teremos celebrações mais fiéis ao que a Santa Igreja pede. Meu sofrimento é maior porque sendo Ministro Extraordinário da Sagrada Eucaristia, os presencio bem de perto. e infelizmente… até participo involuntariamente.
Faço das suas as minhas palavras.
Que Deus na sua Infinita Misericórdia nos dê sacerdotes cada vez mais santos e fiéis.
Paz e Bem !